A Câmara Municipal de Fortaleza outorgou nesta quarta-feira (06/05) o Título de Cidadã Honorária de Fortaleza à missionária indigenista Maria Amélia Leite, através de Decreto Legislativo n° 23/2009, de autoria do vereador João Alfredo, do Partido Socialismo e Liberdade (PSol). Todos os 37 vereadores presentes ao Plenário votaram a favor.
“Maria Amélia teve toda sua vida voltada às causas sociais, por isso merece essa justa homenagem. É fato público sua dedicação às comunidades indígenas do Ceará, inclusive em Fortaleza. Dessa forma, militante de fibra e coerência, faz-se merecedora do Título de Cidadã da nossa capital”, avalia o vereador.
Sobre Maria Amélia Leite
Nascida em São Paulo, dedicou-se as questões sociais da capital cearense a partir de sua vida profissional: professora municipal (1948/1956) e administradora do Posto de Saúde Infantil de Fortaleza (1956/1958). Na década de 1970 foi professora voluntária de alfabetização de adultos nos bairro da periferia de Fortaleza. Foi militante da Ação Católica Operária (ACO) e atuou nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).
Hoje é reconhecida por sua militância em favor dos povos indígenas do Ceará, onde participou a criação da Missão Tremembé. Integrou o Conselho Indigenista missionário (CIMI). Atualmente é membro do Grupo Multi-Institucional (GMID) dos Direitos Indígenas, no Ministério Público Federal. Somou-se a luta que efetivou a primeira demarcação da terra indígena no Ceará, em 2001, o Córrego João Pereira, localizado entre os municípios de Acaraú e Itarema. Ultimamente, encontra-se também ao lado do povo Paupina, localizado no bairro Messejana.
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sexta-feira, 8 de maio de 2009
Maria Amélia, uma referência
[artigo publicado no jornal O Povo, em 10 de abril de 2009]
Lembro-me bem de um dia dos mais simbólicos: estava eu a trabalho, como jornalista, cobrindo a reunião da SBPC, em 2005, no qual houve uma mesa com o então ministro Ciro Ferreira Gomes. Da plateia, expandia-se por todo o auditório a voz firme, contestadora, de uma senhora que eu conhecia de outros momentos, mas não similares àquele.
Refiro-me a esse fato especificamente, entre outros que se seguiram nos últimos anos, para afirmar grandioso respeito e ilimitada solidariedade à Missão Tremembé e, pessoalmente, a Maria Amélia Leite, permanente lutadora em defesa da utopia celebrada secularmente pelos povos de todas as aldeias do mundo.
Outro momento, no mesmo ano, um pouco antes da SBPC, quando a Universidade Federal do Ceará lhe concedeu a Medalha do Mérito Cultural, como reconhecimento de sua história de “vida-luta” (porque indissociáveis).
Tais circunstâncias, mesmo as que agora vivemos, com acintosos e contumazes ataques, servem-nos para que saibamos que não estamos sós (sozinhas).
Em uma das epístolas, Paulo diz: “combati o bom combate e mantive a fé”. Tal expressão ainda é presente; reverbera e revigora entre os (as) grandes combatentes do povo em defesa de um mundo humanamente diverso, socialmente igual e completamente livre. O bom combate é a vida que (re)fundamos no cotidiano de bravos enfrentamentos, com agradáveis conquistas e inaceitáveis perdas, mas também profundos ensinamentos.
Gandhi disse que precisamos “ser a mudança que desejamos para o mundo”. Maria Amélia é um exemplo vivo, pulsante e irresignável de que isso é possível.
Daniel Fonsêca é jornalista (fonsecaufc@gmail.com).
Lembro-me bem de um dia dos mais simbólicos: estava eu a trabalho, como jornalista, cobrindo a reunião da SBPC, em 2005, no qual houve uma mesa com o então ministro Ciro Ferreira Gomes. Da plateia, expandia-se por todo o auditório a voz firme, contestadora, de uma senhora que eu conhecia de outros momentos, mas não similares àquele.
Refiro-me a esse fato especificamente, entre outros que se seguiram nos últimos anos, para afirmar grandioso respeito e ilimitada solidariedade à Missão Tremembé e, pessoalmente, a Maria Amélia Leite, permanente lutadora em defesa da utopia celebrada secularmente pelos povos de todas as aldeias do mundo.
Outro momento, no mesmo ano, um pouco antes da SBPC, quando a Universidade Federal do Ceará lhe concedeu a Medalha do Mérito Cultural, como reconhecimento de sua história de “vida-luta” (porque indissociáveis).
Tais circunstâncias, mesmo as que agora vivemos, com acintosos e contumazes ataques, servem-nos para que saibamos que não estamos sós (sozinhas).
Em uma das epístolas, Paulo diz: “combati o bom combate e mantive a fé”. Tal expressão ainda é presente; reverbera e revigora entre os (as) grandes combatentes do povo em defesa de um mundo humanamente diverso, socialmente igual e completamente livre. O bom combate é a vida que (re)fundamos no cotidiano de bravos enfrentamentos, com agradáveis conquistas e inaceitáveis perdas, mas também profundos ensinamentos.
Gandhi disse que precisamos “ser a mudança que desejamos para o mundo”. Maria Amélia é um exemplo vivo, pulsante e irresignável de que isso é possível.
Daniel Fonsêca é jornalista (fonsecaufc@gmail.com).
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